Afinal, o que é Regulação Emocional e por que ela faz toda diferença ?
Você já sentiu raiva e mandou uma mensagem que se arrependeu cinco minutos depois? Ou ficou tão ansioso antes de algo importante que na hora de falar, você simplesmente "travou"? Você sabe o que é se fechar depois de um comentário que te afetou negativamente? Isso não é fraqueza. É, na maioria das vezes, uma questão de regulação emocional.
O que é regulação emocional
Regulação emocional é a capacidade de sentir, reconhecer, entender e administrar as próprias emoções, sem ser dominado por elas, nem tentar sufocá-las ou reagir impulsivamente. Significa ter clareza quando uma emoção surge, flexibilidade e habilidades para lidar.
Não se trata de "não sentir" raiva, tristeza ou medo. As emoções são informações valiosas: elas nos dizem que algo importante está acontecendo. Regular significa poder senti-las, perceber a mensagem que vem no corpo e nos pensamentos, para então administrar como agir, em vez de reagir no piloto automático ou de forma desgovernada.
Em outras palavras, emoção é como uma onda. Regulação é aprender a surfar, em vez de tomar caldo, ser arrastado ou ainda fingir que o mar está calmo. Nós não conseguimos controlar o mar, mas podemos aprender a surfar. Não por acaso regulação emocional é um tema emergente com tanta preocupação com saúde mental, porque assim como alimentação saudável e escovar os dentes são práticas diárias para a saúde, na regulação emocional também há habilidades para serem praticadas e desenvolvidas todos os dias.

Os três sistemas que regulam nossas emoções
O psicólogo Paul Gilbert, criador da Terapia Focada na Compaixão, propõe que nosso cérebro alterna entre três sistemas para lidar com emoções:
Sistema de ameaça: entra em ação diante de perigo ou crítica, real ou percebida. Gera medo, raiva, ansiedade, e prepara o corpo para lutar ou fugir.
Sistema de impulso: nos move em direção a metas, conquistas e recompensas. Gera motivação, mas também pode virar cobrança excessiva quando nunca é satisfeito.
Sistema de acalmar: ligado à sensação de segurança, conexão e descanso. É o que permite ao corpo relaxar quando não há ameaça nem necessidade de conquistar algo.
Segundo Gilbert, boa parte do sofrimento emocional vem de um desequilíbrio: passamos a maior parte do tempo nos sistemas de ameaça e de impulso, e muito pouco tempo no sistema de acalmar. Regular emoções, nesse sentido, é também aprender a acionar de forma mais consciente o sistema de acalmar, em vez de viver em alerta constante ou correndo atrás da próxima meta.
Regulação emocional não é terapia
Vale separar essas duas coisas. Terapia, melhor dizendo psicoterapia, é conduzida por um psicólogo ou psiquiatra que investiga e trabalha aspectos mais profundos da vida e da personalidade. Trata desconfortos, traumas e sofrimento. Regulação emocional é uma habilidade do dia a dia, algo que você pratica sozinho, no momento em que a emoção está acontecendo: no meio da reunião tensa, na discussão com o parceiro, na fila do banco.
Regulação emocional envolve habilidades que podem ser aprendidas, e é justamente este momento que estamos vivendo, onde torna-se de extrema importância tornar esse conhecimento acessível para as pessoas.
Por que isso importa
A forma como lidamos com as emoções afeta relacionamentos, decisões no trabalho, saúde mental e até saúde física. Regulação emocional não é luxo. Trata-se de uma habilidade prática que sustenta quase tudo o que fazemos.
Aprender a surfar
Pode parecer estranho, mas a verdade é que o primeiro passo é reconhecer que, para melhorar habilidades, precisamos estar dispostos a desaprender, (re)aprender e aprender novas formas de surfar nas ondas das emoções. Já tinha pensado nisso?
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